Todos os originais estão sujeitos a um processo de revisão e edição, e deverão vir acompanhados do documento de Cessão de Direitos Autorais, assinado.
Estes são os critérios para publicação nas diversas seções da revista:
Artigos
Qualquer matéria, incluindo relatórios sobre assuntos
atuais ou eventos de NA, ensaios históricos documentando o surgimento
de NA em uma área, região ou país. Favor enviar primeiro
um pedido de informações. Máximo: 2500 palavras.
Partilhas
Experiência pessoal de recuperação, de 500 a
2000 palavras.
Parábolas
Textos ficcionais, nos quais o autor ilustra um princípio
espiritual ou algum tipo de lição relativa à recuperação.
Máximo: 1500 palavras.
Guarde bem
Os grupos de NA estão convidados a enviar fotografias de
seus locais de reunião. Agradecemos, especialmente, que nos mandem
fotos com o formato das reuniões, literatura de recuperação,
posters – e qualquer coisa que faça a sala de reunião parecer
“viva”. Infelizmente, não podemos usar retatos que identifiquem
companheiros de NA.
Humor
Recortes de boletins de NA (incluindo material da The NA Way
Magazine), erros de leitura da literatura de NA em eventos etc. Outros
artigos humorísticos podem incluir uma lista dos “dez mais”, paródias
sobre a literatura de NA e questionários de múltipla escolha.
Máximo: 1000 palavras.
Em março de 1997, George Hollahan, um dos co-diretores executivos do WSO, recebeu um telefonema de representante dos herdeiros de Jimmy K, perguntando se o WSO queria adquirir o conteúdo da herança de Jimmy pertinente a NA.
Dizer que o WSO estava “interessado” é um eufemismo. Como disse George, “Fiquei surpreso e extasiado. Estava esperando uma oportunidade dessas desde meados dos anos 80.” Depois de entrar em um acordo, George apanhou os arquivos e os levou para o WSO.
Se a visão de arquivo que nós descrevemos acima parece um sonho, o que chegou ao WSO mais parecia um pesadelo – caixas de papelão apodrecendo, arquivos com adesivos de recuperação colados em toda parte, material de escritório quebrado, fitas desenroladas – uma bagunça, apesar de personalizada. Ali estava aquilo tudo, espalhado no meio do moderno e profissional Escritório Mundial de Serviço, parecendo totalmente destoante.
Contudo, um mero olhar para aquela desordem já inspirava admiração. O início de NA foi espantosamente humilde – principalmente, se compararmos até onde nós chegamos! Foi isto o que deu origem a uma irmandade mundial. Existe mesmo um Poder Superior!
Um ex-funcionário do WSO, Steve Lantos, foi contratado para catalogar e organizar o material. O volume de trabalho era assustador – mais de 45 metros cúbicos de papéis, fitas e outros artigos – e estava previsto para durar muitos meses.
Essas expectativas foram cumpridas. O relatório final de Steve só saiu em outubro de 1997. Nesse relatório, descreveu o conteúdo dos arquivos e o significado de cada item.
Em alguns casos, o significado de um material era evidente, como a Primeira Edição do Texto Básico, em cuja capa vermelha estava marcado o número 1. Em outros casos, o significado de um item só se revelava depois. Cada material recebeu um número, como por exemplo o n.º 1081 dado para as atas originais de uma série de reuniões realizadas entre 17 de agosto e 18 de dezembro de 1953, para dar início a NA, no sul da Califórnia.
O que foi encontrado?
O material mais interessante e emocionante encontrado foram as reflexões
e os escritos de Jimmy K. Normalmente, voltados para recuperação,
apesar de Jimmy ter escrito bastante a respeito do serviço e dos
caminhos de Narcóticos Anônimos. Havia muito material sobre
a formação da irmandade de NA, como a conhecemos hoje. Itens
que descreviam as atividades dos custódios e a evolução
da estrutura de serviço, desde meados da década de 60 até
1983.
No relatório final, Steve descreveu a crescente conscientização da importância de Jimmy K para NA, não só nos anos 50 e 60, mas mesmo nos dias de hoje. O material dos arquivos reflete, claramente, as idéias de Jimmy e sua visão acerca de NA como irmandade mundial. Por exemplo, o desenho original, feito por Jimmy, do logotipo de NA estilizado com os círculos e as quatro linhas que se projetavam a partir do último círculo, e o que acabou por acontecer com essas quatro linhas, mostrou como algumas de suas idéias foram mal interpretadas nos anos que se seguiram. Olhando para o pôster em cartolina do logotipo original de NA, nota-se que as quatro linhas mostravam uma direção, indicando o sonho de que NA se espalhasse naquelas quatro direções. Entretanto, mais tarde as linhas foram interpretadas como sendo de simbologia cristã, o que acarretou sua exclusão através de uma moção da conferência.
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Este é o logotipo original de NA, desenhado por Jimmy K. Os círculos em volta do logotipo são coloridos. O interior da letra “A” não é colorido, exceto por um pequeno ponto que representa Deus. O restante do círculo interno é amarelo, representando força e coragem. O anel seguinte é verde e denota a amizade. Então vem o azul, significando paz e serenidade. O círculo externo é vermelho e representa o amor. |
Por muitos anos, o início de NA foi cercado de mistério e lendas, opiniões e vagas lembranças de companheiros sobreviventes. Graças à descoberta de alguns dos documentos históricos contidos nesses arquivos, nossa irmandade poderá, finalmente, iluminar um pouco melhor esses primórdios de NA. O item n.º 1081 contém as atas da formação de NA, no sul da Califórnia. O item n.º 1082 são os estatutos originais elaborados na reunião de 17 de agosto. De grande importância é o item n.º 1220. É um livreto escrito no fim da década de 50 ou início da de 60 pelo padre Daniel Egan, também conhecido por “O Padre Junkie”. O livreto descreve o movimento de NA em Nova York, liderado por Danny Carlsen.
O texto de Jimmy K contido no Livreto Branco fala claramente que a irmandade NA, tal como conhecemos hoje, foi fundada por diversos adictos e alguns membros de AA, em julho1 de 1953. (Este é um dos diversos meses citados como sendo o de aniversário de NA. As atas mencionam 17 de agosto de 1953 como tendo ocorrido a primeira reunião de serviço. A primeira reunião de recuperação foi realizada a 5 de outubro de 1953.) Na realidade, foi formado, nessas primeiras reuniões, um grupo denominado “Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos do Vale de San Fernando”.
A separação de NA e AA continuou a representar uma questão de desenvolvimento nos quase quinze anos seguintes. Os arquivos contêm uma carta de AA World Services outorgando a NA permissão para usar e adaptar os Doze Passos e as Doze Tradições de AA. A batalha paralela de AA, relacionada ao seu próprio desenvolvimento, ficou patente em dois outros documentos: um deles parece ser um protótipo de folheto – possivelmente, elaborado por AA – intitulado “Narcóticos Anônimos é para você?” e que focalizava o problema de AA com os adictos que buscavam recuperação naquela irmandade. O outro documento era um artigo de Bill W (fundador de AA), que tratava da questão dos adictos a drogas nas reuniões de AA.
Ainda com relação a esses problemas, encontramos registros das alterações feitas ao Livreto Branco em meados dos anos 80. Visavam fortalecer e esclarecer a filosofia de NA a respeito da adicção a drogas, que declarava ser o álcool apenas uma outra droga, e que um companheiro cujas “drogas de escolha” incluíssem o álcool poderia manter sua recuperação em NA apenas.
Também foi encontrada muita correspondência trocada entre os membros e os custódios, solicitando esclarecimentos sobre como ser membro de NA no tocante a esta questão particular, sobre servidores de confiança que freqüentavam também reuniões de AA, além das de NA, etc.
Há muito material com respeito ao desenvolvimento de literatura e revisões da literatura existente, ao longo dos anos. Uma das controvérsia mais longas e dolorosas jamais vivenciadas pela nossa irmandade foi quanto às revisões dos ensaios originais da Quarta e da Nona Tradição do Texto Básico, e as inúmeras decisões tomadas pela WSC para alterar o texto – é recontada em diversos documentos, inclusive nas páginas da arte final onde são assinaladas as mudanças, com assinatura dos servidores de confiança responsáveis. Foram encontrados também, em uma das gavetas dos arquivos, os direitos autorais originais do Livreto Branco, datados de 1976. Uma das descobertas mais fascinantes e confortadoras foi a arte original da capa e lombada do Texto Básico, e os originais manuscritos das histórias pessoais do Texto Básico.
Se as prioridades de NA pudessem ser avaliadas pelo volume total de papel relacionado ao assunto, ficaria claro que a lista de prioridades é encabeçada por levar a mensagem globalmente. O “desenvolvimento da irmandade” ocupa um dos mais vastos espaços dos arquivos.
Nem sempre os primeiros contatos com comunidades novas de NA foram reconhecidos como sendo com membros da própria irmandade. Muitas vezes, um profissional da área de saúde mental ou clérico que, de alguma forma, haviam tido contato com alguma literatura de NA, e que não compreendiam bem o que fosse NA, escreviam ao WSO, solicitando desde doações financeiras até orações para os adictos que sofriam em suas comunidades. Mas foi assim que NA se constituiu e cresceu em novos lugares. Os arquivos contêm as primeiras comunicações com a Austrália, Brasil, Equador, França, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Peru, Polônia, Sri Lanka, Suécia e Coréia do Sul.
O que este material significa para nossa irmandade,
hoje?
Como declarou Steve em seu relatório final, “O material é
de valor incalculável... Considerando-se a posição
do WSO como depositário e responsável pela [propriedade intelectual
de NA], a carta de autorização de AA World Services, em si,
já é um grande achado... Da mesma forma, também é
extremamente valioso o material que explica as razões que justificam
nós termos evitado tratar de drogas específicas, modificando
assim o primeiro passo...
“Muitas pessoas já falaram sobre o começo de NA, da irmandade nos anos 50 e 60, mas foram poucos os que realmente viveram aqueles eventos e que possuem material daquela época. Agora, nossa irmandade, através do WSO, possui material histórico datado da formação de NA e dos seus primeiros anos de existência.
Talvez sejam mais valiosas ainda, embora não tangíveis, as evidências a respeito de um homem que serviu à irmandade durante seus primeiros trinta anos. Como acontece com a maioria dos pioneiros, ele tem seus detratores, pessoas que o idealizaram, considerando-o sobre-humano, e outros que achavam que ele havia se aproveitado de sua influência, ou extrapolado sua autoridade em muitas ocasiões. Deixamos que cada leitor constate e julgue por si só; ficou claro, no entanto, que Jimmy K foi um visionário, cuja vida dedicou a tentar ajudar os outros a encontrarem o que ele havia encontrado: a libertação da adicção ativa.”
Resumindo em uma palavra, eles almejam continuidade. Todos os que servem a NA asseguram que nossa mensagem seja levada – intacta – adiante, à próxima “geração” de recém-chegados.
Esta é a temática desta edição da NA Way – como a mensagem de recuperação vem prosperando e sendo levada de um adicto a outro adicto, há quase cinqüenta anos. Com certeza, algumas coisas mudaram quanto à apresentação da mensagem de NA. Sobre algumas questões foi lançado um foco maior, e muito foi revelado sobre a recuperação no dia-a-dia; mas, o essencial da mensagem – que nenhum adicto em busca de recuperação precise morrer sem encontrar uma melhor maneira de viver, e que essa melhor maneira de viver pode ser encontrada em NA – não se modificou nem um pouquinho desde que os fundadores de NA a vislumbraram e colocaram em forma de moção em 1953.
Esses fundadores foram importantes. Por causa deles, muitos de nós estamos vivos e vivendo limpos hoje. Durante muitos anos, NA como um todo não soube muito sobre seu próprio início, fato que está agora se revertendo, desde a aquisição, pelo WSO, de alguns documentos importantes sobre os primórdios de NA. Finalmente, poderemos explorar os detalhes da nossa história, para sabermos como as decisões tomadas ao longo dos anos nos trouxeram até aqui. Poderemos afirmar ao certo e provar através de documentos que uma determinada pessoa estava presente em certa reunião, ou envolvida em uma decisão que resultou em um evento específico.
Só tocamos a superfície até agora. Como vocês verão nos artigos desta edição, ainda temos um longo caminho a percorrer, antes de podermos divulgar a história de NA amplamente para toda a irmandade. Certamente, haverá muito mais vitrines de recordações no WSO, mas também deverá ser concluída uma “recordação portátil” para os companheiros que não puderem viajar para Chatsworth, Califórnia, EUA. Como ocorre muitas vezes, mais será revelado a respeito, e informaremos a vocês o mais que formos descobrindo.
Mudanças na revista
Em resposta às sugestões recebidas da irmandade, o
quadro editorial reviu a idéia do “servidor de confiança
em destaque” e concordou que não seria adequado, dentro do espírito
do serviço abnegado, evidenciar um único indivíduo
por mérito especial. Entretanto, o quadro não quis deixar
que a idéia se perdesse completamente, por considerar a importância
de cada servidor de confiança. Cada um traz algo especial para a
função de serviço que ocupa, e a experiência
ganha pelo serviço prestado é de extrema importância.
Como pode ser capturada essa experiência e partilhada com os outros
companheiros, através da NA Way?
O quadro chegou à seguinte resposta: criar uma coluna que permita ao servidor de confiança “falar” – quase uma oficina escrita sobre o serviço ou algum aspecto específico do serviço. Para vocês visualizarem melhor o que estamos colocando, vejam “Por que presto serviço”, escrito por Spence, na página 11. Apresentaremos essa coluna regularmente, talvez não em todas as edições, mas, seguramente, uma ou duas vezes por ano. Assim, mais uma vez, pedimos que nos enviem seus comentários. Se conhecer alguém que deseje partilhar por escrito sua experiência como servidor de confiança ou queira ser entrevistado, pedimos que nos passe o seu nome e informações para contato, juntamente com a explicação do motivo pelo qual você acredita que essa pessoa tenha uma experiência de serviço valiosa a partilhar. Estaremos aguardando, de olho na nossa caixa postal.
Cindy T, Editora
Sugiro que vocês imprimam, em alguma parte da revista, os Doze Passos e as Doze Tradições, e talvez mesmo os Doze Conceitos para o Serviço (uma vez que há diversos artigos que enfocam o serviço).
Como assinante da revista “antiga” durante dois anos, fiquei feliz por verificar que as mudanças foram positivas, e não apenas aleatórias.
Gostei especialmente do artigo intitulado “O privilégio do auto-sustento: Quem é responsável pelos serviços de NA?”. Espero que depois que as pessoas o leiam, aumentem um pouco o simbólico “dólar na sacola”. Meu grupo paga apenas US$ 55.00 de aluguel por mês, e, às vezes, mal conseguimos arrecadar essa quantia. Há ocasiões em que os companheiros individualmente compram a literatura, o café e outros suprimentos. Realizamos três reuniões semanais com uma freqüência média de seis a dez pessoas. Deveríamos estar arrecadando mais. Também gostei de saber que nossas finanças têm agora um fluxo diferente. Recentemente, nosso grupo deixou uma área por considerar que houve uma violação da Tradição Doze; agora, podemos enviar o dinheiro diretamente para a região ou para os serviços mundiais, se tivermos algum excedente.
Bem, isto é tudo. Fiquem à vontade para imprimir esta carta. Nunca tive nada publicado anteriormente. Penso em redigir um artigo de humor em outra oportunidade; mas vejo tanto (humor, diga-se) ao meu redor, que fica difícil escolher um tema para desenvolver.
Keleen C, Texas, EUA
Prezada NA Way,
Olá. Recentemente, tornei-me RSG de um de meus grupos. Freqüento
uma reunião de serviço de área. Na última,
foi dado um aviso com relação à NA Way Magazine
que muito me decepcionou.
Bem no início da minha recuperação, o secretário da reunião trouxe umas cópias antigas da revista. Desde então, colecionei cópias da revista, algumas dos idos de 1989. Eu as leio com freqüência e cheguei até a edição de fevereiro de 1994. Recentemente, decidi tornar-me assinante.
Depois de enviar meu pedido de assinatura, descobri que o seu formato foi completamente remodelado. Agora parece mais um boletim do que a revista com aquela capa bonita, à qual me acostumei. Sei que é positivo mudar. Aprendi através da escrita e do trabalho dos passos. Só espero que isto também se aplique a esta situação.
Fiquei mais decepcionado, ainda, ao descobrir que a nova NA Way somente será publicada quatro vezes por ano. A versão anterior, entregue todos os meses na minha casa, muito me motivava.
Não sei por que esta mudança ocorreu. Minha única esperança é que continue tendo acesso aos artigos escritos por adictos partilhando sua experiência, força e esperança. Aprendi muito com eles.
Depois de ler uma matéria de “Pen Pals” da Flórida (NA Way de novembro de 1994), passei a considerar a possibilidade de iniciar algo semelhante aqui em Buffalo, Nova York. Se não fosse a NA Way, jamais teria escrito para Pen Pals na Flórida, e ganho um maravilhoso exemplar.
Agradeço a oportunidade que eu tive de conhecer a revista como era antigamente. Espero continuar a ser um assinante regular e satisfeito. Desejo que outros adictos em recuperação possam ter acesso aos artigos, como eu tive, conseguindo extrair deles sua experiência, força e esperança.
Heather F, Nova York, EUA
Por diversas razões, Jimmy K é considerado uma figura chave da história de NA. Escreveu diversas partes do Livreto Branco, sendo a mais famosa o “Fim da Linha”. Desenhou o logotipo de NA (mais tarde modificado pela WSC). Prestou serviço como gerente voluntário do WSO, desde os seus primórdios até 1983.
Jimmy K viveu de 1911 a 1985. Os últimos 36 anos da sua vida ele viveu como membro de Narcóticos Anônimos, limpo e em recuperação.
Afinal, como foi que nossos passos acabaram sendo adaptados da maneira como são? Como foi formada a estrutura de serviço? Quem foi Jimmy K? Por que foi que a irmandade quase desapareceu no final dos anos 50? Qual é a história do Texto Básico?
Aqueles de nós que têm a sorte de conhecer um veterano, alguém que estava por aqui quando alguns desses eventos aconteceram, já ouviu histórias maravilhosas e intrigantes a respeito daqueles tempos. Ouvimos atentamente e, fascinados, pensamos como aqueles eventos foram protagonizados por companheiros como nós.
Mas as histórias são lembranças e, mesmo a mais pálida escrita é mais precisa do que a melhor das memórias. Então, por que é que não dispomos ainda de uma história escrita da nossa irmandade?
O projeto da história da irmandade tem estado em banho maria por muitos anos, mas nunca tomou corpo por uma variedade de motivos. Em primeiro lugar, porque a maior parte dos registros e da documentação sobre os primórdios permanece nas mãos de membros particulares. Não existia um local centralizador até meados da década de 80, quando o WSO começou a armazenar os registros do desenvolvimento de NA. Desde então, muitos dos indivíduos que possuíam documentação da história de NA a ofereceram de presente ao WSO, mas havia outros desconhecidos, e os que não quiseram fazê-lo.
Em segundo lugar, a irmandade tem-se ocupado de outros projetos importantes, como o desenvolvimento de literatura de recuperação e materiais de serviço; além disso, o nosso acelerado crescimento impediu que fizéssemos tudo o que deveríamos ter feito.
Por fim, nós simplesmente não tivemos recursos para catalogar todo o material de que dispúnhamos e o que ainda precisávamos conseguir, e para contratar alguém para colocá-lo, objetivamente, no papel.
História significa desvendarmos quem somos e porque somos como somos. É muito importante nós observarmos nosso passado e o progresso que alcançamos juntos como irmandade. Temos muito o que aprender conosco, e devemos aprendê-lo através do nosso passado – como ele realmente se passou, sem retoques, e sem dependermos da nossa memória. Estaremos prontos agora? Tudo dependerá do quanto desejarmos saber, de verdade.
Vim de uma família desfuncional em que o álcool era a droga principal. No entanto, pensava que jamais seria como o meu pai, o alcoólatra. Naturalmente, eu desconhecia minha constituição e personalidade adictiva.
Depois de concluído o colégio consegui um emprego muito bom como professor de uma pequena escola. Alguns anos mais tarde, conheci um médico que me ofereceu drogas que me faziam sentir melhor do que jamais me sentira antes na minha vida. Como os comprimidos vinham do médico, não me parecia errado ficar doidão quando os tomava. As drogas funcionaram para mim. Funcionaram muito bem, aliás.
Pois muito bem, alguns meses mais tarde eu dirigia – doidão – para o trabalho e me deparei com uma curva muito perigosa na estrada. Meu uso já tinha ido muito mais longe do que eu em tempo algum poderia supor. Decidi pedir a Deus que me desse alguma luz. Minha prece foi mais ou menos assim: “Deus querido, saia da minha vida e deixe-me sozinho por um ano. Depois, farei o que você quiser de mim.” Depois de pensar a respeito do que eu acabara de pedir, acrescentei, à guisa de P.S.: “Não deixe que eu me machuque demais.”
Acreditei que nunca fosse me tornar um adicto. Mas eu me tornei. Levava muito pouco tempo para eu endoidar, e comecei a gostar cada vez mais da onda. Por alguma razão, para mim, as drogas transformavam-me na pessoa que eu sempre quisera ser. As drogas me davam energia para agitar – dia e noite.
Recordo-me de planejar escrever um livro científico de quinto grau, ficar rico e ter uma “vida real”. E, como tudo o mais que eu começava, tampouco jamais concluí esse projeto. O livro nunca chegou a ser enviado ao editor. Ao contrário, um dia queimei os originais, quando estava drogado e em desespero. Começava a acontecer cada vez com maior freqüência que, quando estava drogado, eu me sentia mal, ao invés de ficar bem.
De tempos em tempos, eu acreditava que poderia não ser um adicto. Naturalmente, pensava que poderia não ser exatamente como o meu pai (ainda persistia a negação), mas que minha vida estava ficando cada vez mais fora de controle e, a cada mudança, pequenas fendas iam rompendo aos poucos a minha muralha de negação.
Um dia eu me vi perdendo o emprego de professor. Além desse pequeno problema profissional, minha mulher estava grávida do nosso segundo filho. Decidi que Deus esperava que eu me tornasse diretor do grupo jovem da igreja. Tentei conseguir esse trabalho por diversas vezes, o que sempre me era negado. Lembro de um domingo, quando recebi outro não, e disse a minha esposa que era muito triste Deus não querer a gente.
Eu sentia uma tremenda necessidade de ser querido e útil. Aliás, nós todos sentimos!
Foi naquela época que comecei a perceber, na minha vida, surgirem os mesmos padrões que estiveram presentes na vida do meu pai. Contudo, naquela situação, desempregado e esperando o segundo filho, só me restava usar para amenizar meu sentimento.
Até hoje me recordo dos acontecimentos daquele dia de 1967, quando nasceu nosso filho. Chamei a minha mãe e desatei a chorar. Estava tão abalado. Mas lembro de cada palavra da nossa conversa.
Contei-lhe não saber o que havia de errado comigo. Mamãe, contudo, conhecia o problema. E disse-me com todas as letras. “Bill, são essas malditas drogas!” E a palavra “malditas” significava ofensa grave no entender de minha mãe.
Uma vez que minha mãe já estava ciente do meu uso, decidi que era hora de parar. Parar antes que me tornasse um adicto. Eu meio que sabia, mas ninguém poderia ousar mencionar que eu fosse um adicto.
Então eu parei. Mas não freqüentava reuniões. Na verdade, eu não tinha conhecimento do programa de NA. Achava que não precisaria de qualquer ajuda – contanto que jamais voltasse a usar.
No período de 1967 a 1970, consegui ficar dezoito meses limpo. Também me caiu um emprego, no hospital estadual, como conselheiro para dependentes de álcool e drogas. Na ocasião, pensei que finalmente exercia a profissão que Deus desejara para mim.
Um dia, no princípio de 1972, comecei a usar os relaxantes musculares de uma das unidades onde eu trabalhava. A enfermeira que me forneceu os remédios era uma boa amiga e imaginou estar me fazendo um favor. Infelizmente, comecei a usar aquelas e outras drogas, seriamente. Ainda me lembro de uma pescaria em que me droguei para me manter acordado a noite toda. Nos três meses seguintes, continuei a usar drogas parte do tempo. Passei a apresentar problemas com meus pacientes. Dizia para mim mesmo que eles deveriam fazer o que eu dizia, não o que eu fazia.
Hoje, ainda vou a reuniões de NA, regularmente, porque os passos me oferecem uma maneira feliz de viver. Os passos e os companheiros de NA têm me dado luz e sugestões de recuperação, que eu gostaria muito de partilhar:
Bill B, Missouri, EUA
Você jamais imaginaria que eu viria a me tornar uma adicta.
Uma série de motivos diferentes me levaram a usar aquela primeira droga quando eu estava na quinta série. Sentia-me confusa, fragilizada, deprimida e desesperançosa. Não conseguia dormir. Ouvi dizer que o álcool fazia a pessoa dormir. Na minha mente ecoava uma frase lida em um livro sobre a vida de Michelangelo: “Beba,” dizia, “que isso o adormecerá. Quando você acordar, a dor terá diminuído...” Não poderia questionar uma teoria daquelas. Era tão direta e tão simples.
Assim, eu bebi.
Nunca esquecerei aquela sensação quente, embriagante e o formigamento que senti na primeira vez em que usei. Mal sabia o quanto eu viria a temer tudo aquilo, tempos depois.
A partir de então, passei a beber quase todas as noites para adormecer. Durante quase três anos, a garrafa de bebida foi minha canção de ninar. Quando fazia algum serviço noturno de babysitter, colocava a criança para dormir pelo menos uma hora antes dos pais chegarem, para poder atacar o armário de bebidas. De manhã, quando não havia ninguém por perto, punha licor no meu café, antes de pegar o ônibus escolar. A garrafa havia-se tornado também o meu despertador.
Quando estava na oitava série, meus pais me arranjaram um tratamento externo para depressão, depois que tentei cometer suicídio. Prescreveram-me Prozac, e meus pais jogaram fora todas as bebidas, por suspeitar que eu andara bebendo.
Eu odiava a medicação. Mantinha-me acordada de noite. Então, descobri outros pacientes dispostos a trocar drogas pelo Prozac. Também me deram dicas a respeito dos produtos de limpeza doméstica que eu poderia cheirar ou ingerir, dependendo do efeito que eu quisesse obter. Esse tratamento teria sido o máximo para um adolescente adicto na ativa. E eu só precisava obter a medicação prescrita.
Foi quando a minha prima, em um fim-de-semana, me flagrou bebendo álcool puro. Os meus pais descobriram removedor de esmalte de unhas escondido debaixo do meu colchão, e o meu inalador dos tempos de primário, vazio, na gaveta da escrivaninha. Tiraram-me do tratamento para depressão e colocaram-me em um tratamento para drogas.
Os pacientes pareciam iguais aos do hospital, até que descobri que estavam todos limpos. Para me confundir ainda mais, recusavam-se a falar comigo, enquanto eu não concordasse em ficar limpa também. Para ficar limpa, precisei me abrir e falar sobre a recuperação. T
ornei-me RSG de um grupo de jovens na minha primeira reunião de NA. Não fazia idéia do que fosse um RSG, é claro, mas eu não tinha nada a perder. Eu era uma recém-chegada ao programa. A melhor maneira de me sentir acolhida era participar.
Hoje, estou limpa no programa há mais de dezoito meses. Já vi muitos adictos entrarem pela porta de uma sala, nervosos e confusos. Vi esses mesmos companheiros tornarem-se amorosos, carinhosos e agradecidos. Encontrei um Poder Superior gentil e generoso, em que posso sempre confiar. Tenho muitos amigos queridos, que sempre estarão presentes quando eu precisar de ajuda. Arranjei uma madrinha com quem partilhar e aprender. Aprendi que não estou sozinha e que existe esperança. Descobri que existe um mundo além das drogas, repleto de emoção, diversidade e crescimento. Estou aprendendo a amar, respeitar e a me aceitar como sou. Descobri a simplicidade que existe em estar limpa hoje. Sinto a gratidão e o amor do programa me atravessando, toda a vez que levo esta mensagem.
Algumas vezes, sinto-me injustiçada. Penso: caramba, sou uma adolescente compulsiva sexual, dependente química, gravemente depressiva e bissexual – sem contar que sou primogênita. De vez em quando, sinto necessidade de reclamar de meu quinhão nesta vida.
Entretanto, tenho ainda mais motivos para ser grata. Deus me deu esperança. NA me ensinou a viver. Os companheiros adictos em recuperação me mostraram que não estou sozinha. Hoje, estou limpa.
Cady K, Minnesota, EUA
Acredito que a adicção se manifeste de formas que não têm nada a ver com drogas. Se, por um determinado período de tempo, eu levar a minha vida baseada em ações fora dos princípios, sou apanhada pela adicção ativa. Isto não quer dizer que nos tornamos perfeitos. Eu bem sei. Mas houve épocas da minha recuperação em que consegui libertação da adicção ativa, em todas as áreas da minha vida.
A real questão é: O quão livres desejamos ser? Nosso programa nos dará infinita liberdade, só por hoje. Sei que também nos dá a oportunidade de exercitar nosso arbítrio.
Um dia de cada vez, nunca mais precisaremos usar drogas novamente. Isto já é, em si, uma bênção, mas a completa mudança de personalidade é uma oferta muito maior. Nas ocasiões em que pude experimentar a liberdade que nossos passos proporcionam, bem, não há palavras que descrevam o meu nível de contato consciente com o Poder Superior.
Reduzir o nível de liberdade possível em NA à mera libertação do uso de drogas só serve para colocar um limite na recuperação que cada um de nós recebe do Deus da nossa compreensão. Não podemos nos permitir esta confusão. A recuperação está ao alcance de todos nós.
Marilyn W, Ohio, EUA
Todos me disseram para continuar voltando. Não compreendia porque eles sorriam para mim. Não acreditava que fosse ficar, apesar de querer muito. Simplesmente, não conseguia confiar em mim mesmo. Meu passado comprovava que eu não conseguia nunca manter as minhas promessas.
Consegui um padrinho. Ele me disse que eu conseguiria. Comecei a fazer amigos e a ouvir o que diziam. Ouvi falarem de fé. Disseram-me para desenvolvê-la, para simplesmente acreditar.
Com o passar dos dias, aconteceu o milagre. Comecei a sorrir. A compulsão de usar fora removida. Essa tal de fé não era tão ruim assim, eu pensei. Só tinha um pouquinho, e já parecia ser o suficiente. A cada dia que eu me mantinha limpo, a fé crescia.
O tempo foi passando. Trabalhei os passos. Li a literatura. Prestei serviço. Usei meu padrinho.
Agora, mais de quatro anos depois, tenho que me apoiar naquilo que aprendi no princípio da recuperação. Tenho de ter fé e acreditar, como naqueles primeiros dias.
Estou desempregado há mais de um mês. Tenho feito o trabalho de base, acreditando que o meu PS está cuidando de mim. Deixei meu último trabalho, após meses de oração e meditação. Havia se tornado abusivo. Tive medo de sair, mas sabia que tinha de fazê-lo. Saí, e procuro agora um novo trabalho. Meu PS tem tomado conta de mim até aqui, e prosseguirá, desde que eu continue fazendo a minha parte.
A recuperação me ensinou que a vida acontece, assim como os problemas. Meus primeiros noventa dias ensinaram-me a ter fé e rezar. A única promessa de NA cumpriu-se em minha vida. A libertação da adicção ativa é só o começo. Tudo o que preciso fazer é aparecer, ficar limpo e acreditar. Todo o resto virá depois.
John L, Nova York, EUA
Através de NA, encontrei uma maneira de encarar esses sentimentos. Aprendi um método para aparar meus defeitos de caráter, através dos Doze Passos, do Poder Superior e do serviço abnegado que presto aos outros. Aprendi que posso deter o crescimento de meu egocentrismo, focalizando as necessidades de outro ser humano. Posso questionar meu ego desmedido, tendo boa vontade para ouvir o que os outros têm a me dizer. Descobri que, rendendo minha auto-piedade, recebi em troca uma vida verdadeira, tal como ela é.
Aprendi que a Oração do Terceiro Passo – “Tome a minha vontade e a minha vida, oriente minha recuperação, mostre-me como viver” – não significa evitar ser responsável pelos meus atos. É escolher, conscientemente, a rendição de minhas velhas ações e comportamentos (tome a minha vontade e a minha vida) , em troca de orientação para que eu cumpra meu potencial (oriente a minha recuperação), para receber a vida que joguei fora com o uso de drogas, a dor e o medo (mostre-me como viver).
A vida começou a fazer sentido para mim e a ter um propósito, quando aprendi a praticar estes simples princípios. Muitos adictos em recuperação tiveram experiências semelhantes. Quando a vida se torna pesada e parece que nosso Poder Superior não está funcionando, esta simples oração pode nos indicar a direção certa. Pode nos levar a refletir sobre os aspectos da nossa vida que estejam em conflito com esses princípios, e nos dar alívio da insanidade de ter que atuar velhos comportamentos. A verdadeira liberdade acontece quando nos rendemos a um Poder maior do que nós, realizando nosso pleno potencial como seres humanos.
Michael R, Califórnia, EUA
Passei anos caminhando pela vida usando óculos cor-de-rosa, tentando driblar a realidade. Minha vida era um absurdo repleto de negação.
O meu Poder Superior interferiu, dando-me um leve empurrão na direção certa. Encontrei NA e encontrei um padrinho.
É importante partilhar minha vida com este homem maravilhoso. Ele também é um adicto, disposto a partilhar as alegrias e dores da vida. Juntos, encontramos soluções para a vida como ela é. Nós nos respeitamos e amamos, de verdade.
Hoje eu sou livre, graças a NA.
Mike H, Illinois, EUA
Participei da WSC pela primeira vez em 1992. Não tinha qualquer função no serviço. Simplesmente, fui para observar. Dividi um quarto com outras seis pessoas durante dez dias. A coordenadora da WSC naquele ano era Barbara J, e sua capacidade de liderança e serviço foi extremamente inspiradora. Permitiram-me contar votos e assistir a algumas reuniões de comitês. Testemunhei a aprovação dos Doze Conceitos para o Serviço em NA e do livro de meditações Só por Hoje. Fiquei muito impressionado e intimidado.
Conheci muitas pessoas legais e espiritualizadas, de todas as partes do mundo. Alguns desses companheiros tornaram-se grandes amigos meus. Desde então, venho participando de todas as conferências e oficinas trimestrais da WSC.
Assisti à WSC 93 em Van Nuys, mais uma vez como observador. Percebi a necessidade de um tipo de serviço que não tinha descrição ou título. Os intervalos de dez minutos estendiam-se por quinze, vinte ou até mesmo trinta minutos. Foi-se tornando um problema. A pauta foi se arrastando e, a US$ 42.00 o minuto de conferência (custo apresentado pelo tesoureiro em uma das conferências, que deve estar bem próximo da realidade), os intervalos acabavam saindo muito caros.
Como tenho experiência em representar e cantar, possuo um diafragma forte e o timbre adequado, tornei-me o primeiro monitor de corredores auto-indicado da WSC. Controlava cuidadosamente quando os intervalos deveriam terminar e andava pelos corredores e hall anunciando, como um supervisor cênico: “Cinco minutos!” ... “Atenção, todos, faltam dois minutos!” ... e, finalmente, “ESTÁ NA HORA!!!”
Os participantes da conferência não estavam sendo ruins, eles só precisavam de um “sutil” lembrete do término do intervalo. Eu fui o despertador da conferência. Algumas pessoas, inclusive o coordenador, vieram me agradecer. Isso me fez sentir parte e a serviço. Por outro lado, houve aqueles que ficaram irritados. “Quem é esse cara? E por que ele usa esse topete?” Facilmente, eu os ignorava. A conferência começou a confiar em meus esforços, e até me apelidou de “Showtime” (hora do show).
No ano seguinte (WSC 94) retornei como RSR (atual DR) de uma região nova. Minha experiência como participante da conferência foi totalmente diversa da de observador na galeria. Aprendi muito mais e passei a ter mais respeito pela quantidade enorme de serviço que ocorre no nível mundial. A lição mais importante que aprendi em Atlanta foi fazer o serviço e entregar os resultados. Vi o trabalho de alguns servidores de confiança ser reduzido a cinzas e, ainda assim, os indivíduos permanecerem inteiros. Eles entenderam a diferença entre o trabalho e eles próprios. Os ataques não foram pessoais (não, necessariamente), mas decorrentes de diferenças de opinião sobre a direção do trabalho.
A partir daí, segui servindo ao Comitê de IP da WSC e ao Grupo de Resolução. Ambos têm sido muito compensadores e engrandecedores.
Por que presto serviço? Não seria rigorosamente honesto da minha parte dizer que é por pura bondade do meu coração. De certa forma, presto serviço porque sou obrigado a fazê-lo – da mesma forma como um escritor tem que escrever. Por outro lado, é como ser “chamado”. Não há muitas pessoas dispostas a abdicar de tempo, dinheiro e outras oportunidades para prestar serviço a Narcóticos Anônimos, principalmente aos serviços mundiais. (Os serviços mundiais não são fundamentalmente diferentes, em termos espirituais, dos outros níveis de serviço; mas demandam um investimento muito maior de tempo e dinheiro.)
Considero o serviço à irmandade profundamente recompensador e pessoalmente enriquecedor. As habilidades que aprendi estão me ajudando na minha profissão, e vice versa. As lições pessoais que aprendi fizeram de mim uma pessoa melhor e um servidor de confiança mais efetivo na minha comunidade local de NA. Em certos aspectos, poderia até dizer que sou melhor marido e pai, devido à minha prestação de serviço.
É muito gratificante ouvir alguém reclamar dos serviços mundiais, e responder-lhe, calma e pausadamente, como as coisas são de verdade, e ver a sua animosidade esmorecer. Não acontece o tempo todo mas, assim como na recuperação, a melhor comunicação é de um adicto para o outro. Tenho uma sensação de realização quando ensino às pessoas como se elabora um projeto, para que possam concluir com sucesso um plano de serviço. Estes comportamentos foram-me passados nas conferências e reuniões dos serviços mundiais. Continuarei prestando serviço enquanto for solicitado, e eu o farei sempre com gratidão.
No encerramento da WSC 97, quando foi aprovado o Guia para Serviços Locais (GTLS), muitos RSRs voltaram para casa com um título diferente (Delegados Regionais), um novo manual de serviço e muitas dúvidas. Apesar de muitas regiões virem experimentando algumas das idéias do GTLS desde 1990, a maioria havia participado apenas de oficinas informais. Agora que o GTLS tornou-se uma ferramenta oficial de serviço, mais regiões estão se abrindo para iniciar as mudanças na sua estrutura de serviço.
As assembléias regionais estão entre as primeiras sugestões do GTLS a serem implementadas pelas regiões. Os relatórios das regiões que realizaram assembléias regionais anuais foram bastante positivos.
As que ainda não realizaram uma assembléia anual, podem estar sentindo estranheza e desconforto; contudo, poderão se utilizar de inúmeros recursos em toda a irmandade. Os delegados regionais que já tenham participado de assembléias anuais em suas regiões poderão oferecer informações valiosas. Além disso, existem muitos companheiros com experiência no serviço mundial ou que têm informação a respeito, que podem ajudar a preparar ou apresentar as informações durante a assembléia.
Quando a região decidir realizar uma assembléia, deverá primeiro consultar as áreas e os grupos quanto ao seu período, formato e duração. Na maioria da vezes, as assembléias regionais são realizadas dois a três meses antes da Conferência Mundial de Serviço. A maioria das regiões precisará de um tempo para que seus membros tomem conhecimento e discutam o Relatório da Pauta da Conferência, antes da assembléia. Algumas optarão por realizar oficinas com os RSGs da região, para discutirem em pro fundidade o CAR e proporcionarem um espaço para perguntas, antes da assembléia. Outras preferirão programar uma assembléia de dois dias, sendo o primeiro dedicado ao estudo e explicações sobre o CAR, e o segundo para se chegar a um consenso quanto às propostas do CAR. Depois de verificar as necessidades e desejos das áreas e grupos que compõem a região, ficará mais fácil determinar o formato que melhor convier à região.
Quando estiver resolvido o tempo e duração da assembléia regional, será preciso encontrar uma localidade para a sua realização. É melhor escolher um lugar central, que seja de fácil acesso para todos os RSGs. Se a assembléia for um evento de dois dias, é preciso encontrar um local que ofereça hospedagem acessível para os RSG que necessitem pernoitar. Os eventos de dois dias também incluem, normalmente, um jantar e uma reunião de recuperação, e/ou é solicitada ajuda da comunidade local de NA para informar as reuniões de NA e eventos locais. Algumas regiões maiores consideram mais benéfico e econômico realizar duas assembléias regionais em locais diferentes, ao invés de uma assembléia central.
Outro problema que acontece com freqüência é os grupos não poderem custear sua ida à assembléia. Para resolvê-lo, algumas regiões destinam uma quantia para auxiliar nas despesas com alojamento. Outras acham melhor que as áreas custeiem seus RSGs; algumas áreas chegam até a fazer eventos para angariar recursos para esse fim. Quando começar a crescer a conscientização quanto à importância das assembléias regionais, os grupos passarão a destinar verba para custear a ida dos seus representantes.
A seguir, deverá ser determinado o formato e a estrutura do evento. Deverá ser utilizado o tipo de sessão que melhor promova a partilha aberta de seus participantes, seja através do trabalho em pequenos grupos ou de fóruns abertos. Os participantes também deverão estabelecer a forma de apuração da sua consciência: pela mera avaliação do DR quanto ao resultado das discussões, ou através do voto formal. A assembléia poderá ainda eleger seu Delegado Regional no início, para que essa pessoa possa “treinar” no decorrer do evento. Com o planejamento, algumas dessas decisões poderão ser tomadas com antecedência; porém, se a região estiver realizando sua assembléia pela primeira vez, deverá deixar alguns detalhes em aberto, para que os RSGs possam decidir pelo que for mais confortável para eles. Algumas regiões desejarão realizar uma segunda assembléia após a WSC. Uma assembléia pós-conferência permitirá que o DR informe aos grupos sobre os acontecimentos da conferência, o que, por sua vez, fará com que os RSGs mantenham seus grupos a par das questões dos serviços mundiais.
Para alguns, os benefícios de uma assembléia regional podem não estar claros a princípio. Para outros, é empolgante pensar em um evento que reuna os RSGs todos de uma região, em espírito de unidade, para tentar formar uma consciência coletiva que o DR possa partilhar com o mundo. Vale lembrar que as mudanças na estrutura regional são tão difíceis para as áreas e grupos quanto para a própria região. Não existe um estilo ou formato ideal que atenda todas as regiões. Através da comunicação do corpo de serviço regional com suas áreas e grupos, evoluirá uma assembléia a serviço da necessidade de todos seus participantes.
O Comitê de Procedimentos da WSC tem interesse em saber da sua experiência na implementação do GTLS, para que outros possam se beneficiar com ela. Escreva para WSC Policy Committee a/c do WSO.
Muitas vezes eu penso no significado do serviço para mim, hoje, e como era há alguns anos atrás. Fico muito grato e com um sentimento de plenitude. Foram enormes as mudanças na minha vida, decorrentes do programa de NA e da prestação de serviço. Pelo menos uma vez por dia, vêm salvando a minha vida. Lembro-me da minha vida anos antes de atingir o fundo do poço da minha adicção. E só preciso de um breve olhar para a mesa da minha sala de jantar, para ter uma amostra de como estou hoje. Está sempre repleta de material de serviço, incumbências por terminar e faxes do departamento de traduções do WSO. Estou em meu terceiro ano como membro do Comitê de Traduções dos Serviços Mundiais e sinto-me abençoado por ter recebido a oportunidade de fazer o que eu mais gosto: traduções da literatura de NA.
Quando fiquei limpo, havia três grupos na Noruega – um em Oslo, com dois ou três membros, um em Horten, com três ou quatro membros, e um em Moss, onde eu vivo, com uns dez membros. A pessoa do meu grupo com maior tempo limpo tinha cerca de dois anos. A primeira vez que conversei com ele após uma reunião, pensei “Caramba, dois anos! Deve ser o homem mais sereno e saudável que já conheci!” Dois meses depois, tornou-se o meu primeiro padrinho.
O mais importante da história é que ele tomou a iniciativa de formar o primeiro comitê de serviço de área. Fui à primeira reunião do CSA, e lá nós formamos o primeiro comitê local de traduções. Passei a fazer parte de imediato. Inicialmente, não dispúnhamos de qualquer experiência anterior para nos apoiar. Queríamos apenas ter alguma literatura em norueguês para dispor sobre as mesas dos grupos, algo que pudéssemos ler e que todos na reunião compreendessem. Queríamos algo que nos identificasse como parte da Irmandade de NA – algo que fosse nosso, e apenas nosso.
Nos primeiros anos de existência de NA na Noruega, a maioria dos membros freqüentava também outra irmandade. Certamente, isso influenciou nossas atitudes e maneira de pensar. Mas, lentamente, alguns de nós pararam de ir às outras irmandades, e começamos a desenvolver o que hoje chamamos de identidade genuína de NA. (Falando por mim, não tenho nada contra qualquer outra irmandade. Mas pertenço a NA. Identifico-me completamente com o que o Texto Básico diz a respeito da doença da adicção. Meu coração e minha alma pertencem a NA. Só queria mencionar que lutamos durante muito tempo por nossa própria identidade e para superar a influência de outras irmandades.)
Tem sido assim todas as vezes que estabelecemos novas áreas de serviço ou que tentamos fazê-lo. Sempre tivemos de começar do zero. Algumas vezes nós começamos da maneira certa, usufruindo a experiência das comunidades de NA mais desenvolvidas ou do WSO. Às vezes, fizemos tentativas, sem procurar conhecer a experiência dos outros; ora funcionava, ora não. Parte dos esforços que empreendíamos fracassavam, devido ao mau planejamento ou a conflitos de personalidades. Contudo, aprendemos com cada um desses erros. Hoje, temos subcomitês operantes e estáveis para cada uma das áreas comuns de serviço.
Pessoalmente, também vivi coisas boas e ruins no serviço. A minha falta de humildade já fez com que outras pessoas deixassem de prestar serviço – o que eu lamento, profundamente. Uma coisa que eu aprendi: Quando você está tentando ficar limpo e se recuperar em uma irmandade muito pequena, não pode se permitir rejeitar as pessoas. Você não pode ser muito seletivo a respeito das pessoas com as quais presta serviço. Simplesmente, não há tantas pessoas assim disponíveis! A sua existência depende de estarem juntos como grupo. É como tentar se recuperar em uma comunidade pioneira. Você tenta amar os outros companheiros o melhor possível, não importando como eles se comportem, o que digam, ou quais sejam suas opiniões a respeito do serviço. Você só pode tentar aceitar a situação como ela se apresenta, apoiar os outros e deles receber apoio, da melhor maneira possível, e tentar chegar a um acordo sobre a prestação do serviço. O mais importante, é fazermos isto juntos. Minha vida dependeu de ficar limpo, e ficar limpo dependeu da minha lealdade ao grupo de escolha e da prestação de serviço.
Permaneci no comitê de traduções norueguês por quatro anos, tendo prestado muito serviço em diversas funções, tanto no serviço local como no mundial.
Tenho diversas experiências memoráveis no serviço, mas gostaria de partilhar duas delas, que considero muito especiais.
Após dois anos no comitê local de traduções, recebi um dia uma carta do WSO. Ao abri-la, caíram no meu colo os quatro primeiros folhetos traduzidos para o norueguês. Comecei a chorar de alegria porque, enfim, ali estava o resultado de dois anos de trabalho do comitê, dois anos de discussão, raiva, risos e dúvidas. Chorei por saber que aqueles pedaços de papel representavam mais um adicto maluco, como eu, que ficaria limpo e encontraria recuperação em Narcóticos Anônimos.
Pouco tempo depois, recebemos nosso primeiro embarque de folhetos, e começamos a distribuí-los pelos grupos. Então, em agosto daquele mesmo ano (de 1993), realizamos a nossa primeira convenção na Noruega. Houve setenta e três inscrições. Foi o primeiro grande evento de companheiros de NA na Noruega. Afinal, tínhamos algo para colocar sobre as mesas de literatura dos grupos, que qualquer membro poderia compreender. Não esquecerei jamais a alegria dos companheiros quando viram que tínhamos mesmo literatura de NA em nosso idioma. Grande parte dos companheiros não entende inglês muito bem; assim, para eles, o fato foi de indescritível realização. Como disse um companheiro: “Obrigado, agora eu já sei o que há de errado comigo.” Ele estava limpo há quase um ano.
Também servi em outras áreas, durante o período em que estive no comitê local de traduções. Havia a necessidade de serviços, tanto nos grupos como na área, mas não havia muitos companheiros dispostos ou capazes para prestar o serviço. Alguns de nós chegavam a acumular três ou quatro funções. Em determinado momento, dei por mim fazendo o café e sendo tesoureiro do meu grupo de escolha, sendo coordenador da área e secretário do comitê de traduções. Não recomendo isto a ninguém, mas às vezes estas situações acontecem quando se inicia uma comunidade de NA.
Simplesmente, tentamos fazer as coisas a qualquer custo. E aconteceu o milagre! Ficamos juntos e começamos a crescer – primeiro, enquanto grupo, e depois, como área. Em dado momento, o comitê de área quase sucumbiu, por falta de apoio dos grupos e conflitos de personalidade, mas conseguimos superar isso tudo e os grupos começaram a se multiplicar.
Atualmente, existem vinte e dois grupos na Noruega. Estamos vivendo uma onda de crescimento! Sobrevivemos, apesar dos problemas iniciais, e hoje nossa área está próxima do que consideramos o ideal. Bem, ideal talvez seja exagero, mas, certamente, mais amadurecida. Também possuímos uma identidade de NA muito forte na Noruega. Nossos companheiros estão muito atentos à aplicação das Doze Tradições ao serviço, e vê-se um crescente interesse pelos Doze Conceitos. A irmandade de Narcóticos Anônimos está bem estabelecida na Noruega. Chegou para ficar!
Minha recuperação pessoal e serviço tomaram um caminho inesperado quando fui indicado para o WSTC, em maio de 1995. Este tipo de serviço trouxe uma dimensão completamente nova para a minha vida e recuperação. Encontrei pessoalmente companheiros da irmandade mundial – membros de Israel, do Brasil, das Filipinas, Alemanha, EUA, Reino Unido, Austrália... O serviço mundial me proporcionou a oportunidade de crescer e viver um potencial que eu próprio desconhecia. Isto ficou claro para mim, quando apresentei o relatório do WSTC diante de 300 companheiros de NA, na WSC 97. Levantei e dirigi-me ao pódio, diante de todas aquelas pessoas, pensando: “Este sou eu mesmo, prestando um relatório em inglês para a Conferência Mundial de Serviço de Narcóticos Anônimos!”
Alguns poucos anos antes, eu estava metido em confusão em uma cidadela muito pequena do interior da Noruega, usando todas as drogas que me chegavam às mãos.
Obrigado pela oportunidade de prestar serviço e por estarem salvando a minha vida.
Fiquei limpo em uma prisão de Massachusetts. Durante anos eu me perguntei como isso aconteceu, e até mesmo por que aconteceu. Tinha desejo de parar de usar; ao longo dos anos, havia tentado parar muitas vezes, nunca tendo obtido sucesso.
Aceitei o fato de ser um adicto e que iria usar até o fim dos meus dias. Os últimos dez anos da minha ativa foram um filme de terror. Fui homicida, suicida, sem deus, sem esperança e cheio de auto-aversão. Odiei aquilo em que me tornara.
Não conhecia ninguém que estivesse limpo e jamais ouvira falar em Narcóticos Anônimos. Não me pergunto mais como fiquei limpo. Hoje eu sei a resposta. Foi porque alguns companheiros de NA acharam que era importante levar um painel de H&I para dentro da prisão onde eu me encontrava, porque me disseram que havia uma melhor maneira de viver e que eu não tinha que usar nunca mais.
Isto aconteceu há treze anos atrás, e ainda estou limpo e em recuperação. Sou um membro grato do Comitê de H&I da WSC. Como resultado do serviço de H&I, local e mundialmente, minha vida mudou para melhor. Tornei-me um membro útil e produtivo da sociedade. Tenho metas e aspirações. Não posso descrever em palavras a sensação de ter dignidade e esperança, valores que inexistiam antigamente para mim.
Através do serviço de H&I, conheci pessoas maravilhosas que abriram seu coração e suas casas para mim. É difícil explicar treze anos de serviço de H&I em alguns parágrafos. Tive sorte. Meu padrinho também é de H&I, assim como meus amigos de NA mais próximos.
Tudo o que aprendi em serviço tornou-me a pessoa que sou hoje. Tornei-me um indivíduo amoroso e carinhoso – como eu nunca pensei que pudesse vir a ser. Quero deixar estas palavras para vocês: Lembrem-se, servir a NA é servir a você mesmo.
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Você já saiu da sua área e visitou uma reunião de NA? Os posters na parede, o local onde fica a cafeteira, as mesas, as cadeiras, a literatura – tudo isto se soma à atmosfera de recuperação. E você pensou que as reuniões de NA só eram realizadas nos anexos de igrejas! |
A muralha de pedra diante de mim parecia intransponível. Caminhei para fora pela grande porta de aço, carregando um profundo sentimento de gratidão. Estava acompanhado de mais dois companheiros de NA. Um ano antes, eles estavam encarcerados naquele mesmo presídio. Tinham ouvido a mensagem de recuperação durante um trabalho de H&I no presídio, e estavam agora oferecendo o que haviam recebido. A reunião de H&I acabara há pouco. Existia há dois anos, desde que o comitê de informação ao público se reuniu com a direção do presídio.
O comitê de Informação ao público era novo naquela época, e a reunião com as autoridades do presídio foi um de seus primeiros trabalhos. Acreditávamos faltar um elo entre NA e o público, especialmente com os profissionais e organizações que lidavam com adictos. Nosso objetivo era simplesmente informar àquelas pessoas e organizações da existência de NA, e que os adictos com desejo de parar de usar eram bem-vindos. Parece simples, mas é um desafio muito difícil conciliar nossas tradições com a legislação do nosso país.
Narcóticos Anônimos em Kuala Lumpur, Malásia, consistia em um grupo muito pequeno de adictos em recuperação. Quando NA começou na Malásia, há dez anos atrás, nossa única reunião era secreta, e mudava constantemente de local. Naquela época, era como um movimento underground. Cada reunião era realizada com muito medo de que a força policial nos detivesse por realizarmos um encontro ilegal (pela nossa lei, uma organização precisa se registrar junto ao governo e cumprir determinados termos e condições).
Não podíamos realizar qualquer trabalho formal de IP ou H&I. A mensagem era levada, basicamente, de boca em boca pelos companheiros e amigos mais próximos. NA era tido como um programa religioso ou algum tipo de ideologia ocidental. Lembro-me de assistir à primeira reunião de NA na Malásia, temeroso por estar em um grupo de adictos, porque poderia chamar a atenção da polícia, que poderia até nos submeter a exames de urina. Nossa legislação determina que qualquer adicto na Malásia está sujeito a pena de dois anos de reabilitação em instituição, e mais dois anos de liberdade condicional.
Apesar das barreiras e dos desafios que precisamos enfrentar, os companheiros que permanecem no programa ficam limpos. Os profissionais da região estão cada vez mais curiosos a respeito de NA. Em 1991, foi realizada uma convenção internacional sobre tratamento para o abusos de drogas e serviços relacionados, em Kuala Lumpur. Participou um representante dos serviços mundiais de NA, que fez uma apresentação. Pela primeira vez os profissionais da Malásia tomaram conhecimento do programa mundial de Narcóticos Anônimos, adaptável a qualquer cultura e idioma.
Depois da convenção, a irmandade iniciou algum serviço formal. Continuamos sem estardalhaço. Há cerca de três anos, foi realizado o Fórum de NA da Ásia/Pacífico, e pudemos aprender com a experiência de serviço da irmandade de NA. Também aproveitamos a presença das pessoas da WSC para marcar uma reunião com algumas pessoas importantes, que pudessem nos ajudar: o vice-presidente da Federação Mundial das Comunidades Terapêuticas, e pessoas influentes no estabelecimento das políticas governamentais.
Logo depois, foi formado um comitê de serviço de grupo. IP tomou a iniciativa de apresentar NA ao diretor do presídio e, meses depois, tinha início a primeira reunião de NA na instituição. Como a maioria dos adictos falam o idioma local, “Bahasa Malásia”, também iniciamos uma reunião naquela língua. Nosso Poder Superior também nos deu coragem para abordarmos o diretor geral da Agência Governamental de Narcóticos (a agência do governo responsável pela reabilitação dos adictos). Ele foi muito receptivo, e convidou-nos a apresentar uma oficina. Fiquei muito grato por participar da apresentação. Havia mais de sessenta autoridades presentes de todo o país, que foram muito receptivas a Narcóticos Anônimos como meio para os adictos encontrarem recuperação. Além de aceitar Narcóticos Anônimos, convidaram-nos a apresentar NA aos adictos sob seus cuidados, e ofereceram-nos ajuda para iniciarmos mais reuniões.
Espero que NA cresça na Malásia e que o trabalho de IP e H&I continue; assim, mais adictos receberão a mensagem de NA. Rezo para que nenhum adicto morra sem ter a oportunidade de trabalhar os Doze Passos de Narcóticos Anônimos.
1986 | 1996 | |
Número de países com reuniões de NA | 40 | 90 |
Número de grupos de NA registrados, nos EUA | 7,638 | 12,938 |
Número de grupos de NA registrados, fora dos EUA | 735 | 2,720 |
Número de Textos Básicos em inglês,
vendidos pelo WSO |
215,352 | 206,512 |
Número de medalhões de bronze de 10 anos,
vendidos pelo WSO |
572 | 4,768 |
Número aproximado de kits para iniciar grupos,
enviados pelo WSO |
900 | 1,000 |
Número de idiomas nos quais
o Texto Básico é publicado |
1 | 8 |
Número de inscrições para
a convenção mundial |
1,600 | 7,116 |
Total de mercadorias vendidas
na convenção mundial |
$41,556 | $355,782 |
Fontes: (1-7) Relatório Anual do WSO de 1986 e 1996; (8-9) Dados Históricos da WCC
Pensamos que talvez pudesse ser útil apresentarmos aqui alguns dos funcionários do WSO, descrevendo suas responsabilidades. “Funcionário em destaque” será uma coluna regular da NA Way Magazine.
A funcionária deste mês é Dee Joyce Price. Começou a trabalhar para o WSO em 1986. Contratada como recepcionista, responsável pelo atendimento de três linhas telefônicas e pela recepção dos visitantes, Dee encontrou uma função ao seu agrado. “Foi maravilhoso. Todos me abraçavam, e é claro que eu gostava”, recorda Dee.
Suas
responsabilidades aumentaram muito neste onze anos de trabalho. O WSO possui
agora oito linhas telefônicas. Pode ser um número incontrolável
se as oito linhas tocarem ao mesmo tempo. Felizmente, isto raramente acontece.
Além disso, muita gente opta por utilizar o sistema eletrônico.
Dee verifica toda a correspondência regular e via correio eletrônico
para o endereço de e-mail mailwso@aol.com. Ela envia todas as correspondências
de H&I e grande parte das outras, tais como pacotes expressos para
os servidores de confiança. É a voz de Dee que se ouve na
mensagem da telefonia eletrônica. Ela está a par das responsabilidades
de todos e acompanha os passos de todos os funcionários, para poder
transferir as ligações para o local certo, para que as questões
sejam atendidas. Dee também responde sozinha grande parte das perguntas,
para aliviar um pouco a pressão dos serviços da irmandade.
Mantém um catálogo telefônico atualizado sobre sua
mesa, para auxiliar as pessoas que telefonam para saber o local de uma
reunião de NA.
O sentimento inicial de Dee sobre o trabalho no WSO só mudou na medida em que se tornou mais forte. A Irmandade de NA tornou-se uma segunda família para ela, que adora receber sua visita. Na próxima vez que estiver na Califórnia, apareça.
Quando esta prática comum nas convenções mundiais começou, a venda alternativa de mercadorias destinava-se a recuperação de dinheiro empatado pelas áreas e regiões em caixas e camisetas encalhadas. A WCC queria eliminar ou pelo menos minimizar as vendas de mercadoria de NA “pelos corredores”. Os membros de NA reagiram positivamente, aguardando na fila a abertura dessa loja. Então, com todos esses resultados positivos, o que poderia haver de errado nisso?
Como acontece muitas vezes, o que a loja alternativa de mercadoria deveria ser, quando foi criada na convenção mundial, acabou por se desvirtuar bastante. O que ocorreu na loja alternativa da WCNA-26 em St. Louis ilustra como um quadro bizarro uma boa idéia que deu errado.
O processo de organizar a entrada dos vendedores na sala designada rapidamente se transformou em tumulto, apesar de ter sido montado um sistema para garantir a cada vendedor um local pré-determinado. Tornou-se perigosamente próxima a possibilidade de alguém se ferir, uma vez que alguns vendedores começaram a empurrar e abrir passagem à força pelos funcionários e pessoal da segurança, que tentava verificar as credenciais e direcionar as pessoas para seus respectivos lugares. Foi o mais pobre exemplo de recuperação em serviço jamais visto. Gostaríamos de crer ter se tratado de um incidente isolado, mas parece que cada vez mais esse tipo de comportamento vem-se tornando típico – não apenas em convenções mundiais como também nas regionais que promovem a venda alternativa de mercadorias.
O que acontece com este tipo de serviço, que transforma servidores de confiança razoáveis, praticantes dos passos e conhecedores da literatura em maníacos grosseiros, intolerantes e exigentes? Não queremos ser injustos e depreciar os companheiros envolvidos na venda alternativa de mercadorias. Infelizmente, contudo, o número de pessoas que correspondem à descrição acima vem aumentando a cada ano.
Chegamos ao ponto em que, o que foi um dia uma oportunidade especial para áreas e regiões tornou-se agora um “direito inalienável” exigido. Por conta disso, a WCC encontra-se agora entre a cruz e a espada. Nosso empenho tem sido sempre apoiar os membros de NA em seu desejo de adquirir mercadoria remanescente das convenções. Tardiamente, constatamos que esse nosso empenho resultou na quebra ou desvio das normas estabelecidas, violação de contrato e aumento do risco de prejuízo decorrente do comportamento de pessoas envolvidas na venda de mercadorias. Além disso, a sobrecarga administrativa da WCC tem aumentado a ponto de quase ser necessário um funcionário exclusivo para lidar com essa loja. Como se todos esses problemas não fossem suficientes, a loja alternativa tem perturbado muito a presença na reunião de recuperação no domingo de manhã. Apesar da loja não abrir antes do término da reunião, alguns membros perdem a reunião para começar a formar a fila. Certamente, não era essa a intenção quando se concebeu a loja alternativa!
Percebemos que muitas comunidades de NA passaram a depender da loja alternativa para angariar recursos, mas, realmente, a loja não foi criada com esta finalidade. Foi criada com dois propósitos: primeiro, diminuir as “vendas pelos corredores” de mercadoria nas convenções mundiais; segundo, permitir que as comunidades de NA vendessem encalhe de estoque. Hoje, há comunidades de NA que confeccionam mercadoria exclusivamente para venda na convenção mundial.
Efetivamente, os problemas surgidos forçam a WCC a, pelo menos, ser mais rígida no estabelecimento de diretrizes para participação de vendedores nas lojas alternativas e, em última instância, avaliar o real benefício da loja para a irmandade. Lamentamos dizer que, se pudéssemos em sã consciência eliminar a loja alternativa imediatamente, nós o faríamos. Todavia, a experiência nos ensinou a procurar meios de resolver os problemas solicitando, primeiro, a ajuda dos membros. Quando discutirem esse problema nas reuniões dos comitês de serviço, por favor, registrem o pensamento dos companheiros e nos enviem esses comentários como sugestão.
Eu, abaixo assinado, concedo a World Service Office, The NA Way Magazine, seus sucessores, prepostos, e todos aqueles que agirem em seu nome, autorização para publicar o material original em anexo.
Compreendo que esse material será editado e, ainda, que poderá vir a ser reproduzido em outras publicações da irmandade de NA. Tenho total capacidade legal para conceder esta autorização e eximo World Service Office e a The NA Way Magazine de qualquer queixa apresentada por mim, meus sucessores e/ou prepostos.
Assinatura: _________________________________
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Wie, Wat, Hoe en Waarom
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Een Andere Kijk
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Herstel en Terugval
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Ben ik een verslaafde?
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Alleen Voor Vandaag
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De Ervaring van een verslaafde
met Acceptatie, Vertrouwen en Commitment
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