Table
Of Contents
Fomentando
o crescimento
da
irmandade
Editorial
Então,
você quer mudar NA?
NA
na África do Sul:
um
diamante bruto 6
Crescimento
e mudança
Um
pouco de tudo, para todos Os números da WCNA
Um
apelo por melhor comunicação
Uma
vez camelo...
Reuniões
na ilha, convenções de NA ...
e
desenvolvimento da irmandade?
Convenção
e controvérsia
Cartas
à redação
Os
laços que nos unem
Todos pertencemos:
medicação
em recuperação
Reposta
do leitor
Reposta
do leitor
Vejam
só!
Novos
produtos do WSO
Quadrinhos
do “Grupo de Escolha”
|
Recentemente,
participei de uma convenção de NA para mulheres em recuperação.
Acho que seria denominada uma convenção de “interesse especial”.
Foi a primeira deste gênero na minha região. A idéia
do evento evoliu a partir da consciência coletiva de uma reunião
de NA de mulheres na nossa área. Cerca de setenta e cinco mulheres
participaram da convenção. Foi um grande sucesso! Não
me envolvi na organização do evento; fui apenas como participante.
Ouvi
falar do encontro, apesar dos esforços feitos para que não
fosse anunciado. Evidentemente, ele gerou controvérsia no nível
regional de serviço, muito antes da sua realização.
Um representante de área resolveu que o evento era uma quebra das
tradições, e jogou fora os panfletos. Como as más
notícias correm rápido na nossa irmandade, eu acabei ouvindo
falar da convenção, mesmo sem o panfleto.
Quando
cheguei ao local da convenção, partilhei com algumas mulheres
do comitê a controvérsia que havia ocorrido na minha área.
Descobri que a controvérsia não se restringira à minha
área. Acontecera em outras áreas, nas reuniões, e
mesmo nas casas de alguns companheiros, em seus relacionamentos afetivos.
Conheci uma mulher cujo namorado ameaçara deixá-la, caso
fosse à convenção. Ela foi e ele a deixou. Fiquei
surpresa ao descobrir quantas pessoas aquele evento estava incomodando.
É
importante para mim partilhar com vocês a respeito dessa convenção.
Fiquei muito confusa quanto à possibilidade de poder ser contrária
às tradições. Não tinha certeza se acreditava
nisso ou não. Falei com a minha madrinha a respeito. Discuti o assunto
com outros companheiros de NA.
As
coisas que ouvi não foram em função do sexo da pessoa.
Tanto homens como mulheres me deram os mesmos argumentos: a adicção
não discrimina idade, raça, sexo, cultura, posição
social, religião ou falta de religião. Portanto, esse tipo
de encontro não deveria ser realizado dentro do contexto de NA.
Havia
lido na nossa literatura que os princípios espirituais não
entravam em conflito entre si; portanto, não geravam controvérsia.
Estava confusa. Talvez essa convenção de mulheres não
estivesse certa.
Estou
em recuperação há cinco anos. O apadrinhamento é
um ingrediente fundamental na minha recuperação. Não
conseguiria sem ele. De jeito nenhum. Nossa literatura recomenda que escolhamos
um padrinho ou madrinha, do mesmo sexo que o nosso. Penso que o apadrinhamento
poderia ser considerado “interesse especial”, portanto.
Nos
meus primeiros dezoito meses limpa, tive um padrinho homem. Claro que eu
estava me escondendo. Tinha um padrinho que era meu namorado. Estava limpo
há oito anos e era um Deus para mim. Eu não tinha honestidade
suficiente ou pelo menos o velho bom-senso para perceber isso na época.
Somente depois de conseguir uma madrinha foi que eu vivenciei a verdadeira
natureza do apadrinhamento. Ela me mostrou o caminho para um relacionamento
com um Poder Superior, ao invés de se tornar meu Poder Superior.
Ela me transmitiu o que eu precisava para ficar limpa e me recuperar. Mostrou-me
como me tornar uma mulher, como adquirir respeito, confiança e dignidade.
Aprendi humildade. Partilhei meus segredos mais profundos. Experimentei
a recuperação. Era tão bom, que eu queria mais e mais.
Isso me fez ficar em NA. Meu namorado e eu terminamos um ano depois. Fiquei
com o coração partido e muito desiludida. Graças a
Deus, soube aonde ir e o que fazer.
Eu
ingressara em uma reunião de mulheres. Durante os primeiros anos
limpa, meu grupo de escolha foi a reunião feminina. As mulheres
daquele grupo me apoiaram durante todo aquele momento. Estava assustada
demais para partilhar em uma reunião mista as coisas que eu conseguia
dizer no meu grupo de escolha. Tinha medo dos homens. O grupo era o meu
paraíso de segurança. Sequer me ocorria questionar se seria
“politicamente correto” freqüentar aquela reunião. Simplesmente,
agarrei-me a ela como a um colete salva-vidas. E salvou minha vida.
Hoje,
o meu grupo de escolha tem homens e mulheres. Em dado momento, percebi
que precisaria aprender a conviver com os homens, se queria funcionar no
mundo real. Agradeci a Deus por existirem reuniões mistas. Também
aprendi que o rancor pelos homens não me levaria a lugar nenhum.
Depreciá-los não era o caminho. Só alimentava minha
raiva e vitimização.
A controvérsia
em torno da convenção de mulheres me perturbou, porque não
posso negar minhas raízes em NA. Também não posso
negar o valor do apadrinhamento por uma pessoa do mesmo sexo. Para mim,
esse é o único caminho. Ao mesmo tempo, não quero,
tampouco, participar de algo que divida a irmandade. Só posso partilhar
a minha experiência e, espero, ajudar a desmitificar a convenção
de mulheres.
Em
primeiro lugar, podem ter certeza de que o evento não foi para falar
mal dos homens, mas para celebrar nossa recuperação com outras
mulheres. Além disso, não foi a única convenção
realizada na nossa região este ano. Foi uma entre dez, e todas as
outras foram abertas a qualquer pessoa. Ninguém foi privado do seu
direito de participar de uma convenção. Não é
muito diferente do que ocorre em diversas áreas – ou seja, uma reunião
de mulheres entre as muitas reuniões de NA realizadas em determinada
noite da semana.
Minha
experiência na convenção de mulheres foi extraordinária.
No sábado à noite, dancei pela primeira vez em recuperação.
Senti-me segura porque havia apenas mulheres dançando. Houve uma
reunião com o tema sexualidade. A atmosfera foi bastante intimista
e proporcionou uma experiência poderosa. Naquele fim-de-semana, celebrei
o fato de ser uma mulher em recuperação. O evento alimentou
minha alma. Quero descobrir como é ser mulher, não apenas
um ser humano. E só posso aprender com outras mulheres. Este encontro
proporcionou um local onde floresceram os relacionamentos entre mulheres,
o que fez com que os apadrinhamentos acontecessem.
Não
pretendo causar mais controvérsia. Só estou grata pelo privilégio
de poder partilhar minha experiência, força e esperança.
Represento apenas uma partícula do arco-íris de cores que
NA proporciona a seus membros. Não sou autoridade em nada; tudo
o que eu tenho é a minha experiência.
Entristece-me
ver quando outros adictos reagem em função do seu medo ou
ignorância a respeito desses encontros. Na minha opinião,
a negatividade diante do que os outros adictos fazem para fortalecer a
sua recuperação só demonstra falta de fé no
Poder Superior que governa esta irmandade.
Julie
V, Quebec, Canadá
|